segunda-feira, 26 de junho de 2017

Motel Bates 1º Temporada (Resenha Seriados)

Verdade que demorei bastante para assistir Bates Motel, mas antes tarde do que nunca. O "prequel" de Psicose do genial Alfred Hitchcock se mostrou pra mim bem acertado. A trama mostra, claro, um recomeço para a família Bates, quando Norma (Vera Farmiga) compra um Motel numa cidadezinha aparentemente tranquila e acolhedora, mas logo percebe, de cara, que aquela é uma cidade cheia de segredos sujos. Pra piorar a situação, um desvio pretende ser construído pela prefeitura local, praticamente retirando o motel da Senhora Bates do mapa e com isso, nada de clientes para dar lucro ao seu investimento. Mas para Norman (um ótimo Freddie Highmore), nada disso parece ser tão grande quanto sua mãe demonstra. Norman acompanha a aflição da mãe com um interesse quase robótico. No entanto, acaba atraindo o interesse da garota mais bonita e popular da escola, o que o faz se sentir bem naquele local. Mas isso tudo parece muito trivial para as sequencias seguintes. A série não se prende apenas nessas situações aparentemente simples. Logo temos subtramas misteriosas e ações fortes. Falo de estupro, drogas, assassinatos, extorsão, tráfico de mulheres... 
Os produtores não se prenderam apenas a mostrar a relação doentia e controladora de Norma ao filho Norman. Não tinha como ficar apenas nisso, e acrescentaram subtramas interessantes onde a aparente pacata cidade cinza se mostra ser um desafio ainda mais perigoso, com personagens ambíguos e personagens que escondem mais do que mostram. O Xerife da cidade, Alex Romero (Nestor Carbonell) é um cara controlador e frio e faz qualquer coisa para manter a ordem na sua cidade. Ou os traficantes locais que mantêm uma plantação de maconha nos arredores, ou o cara misterioso que trafica mulheres asiáticas. Mas os dois personagens mais bacanas são de fato Dylan (Max Thieriot) meio-irmão de Norman e que apesar da vida transviada, tenta ajudar o irmão a sair da aba controladora da mãe e a doce e inteligente Emma Decody (Olivia Cooke), que se torna uma amiga fiel de Norman. 
A série consegue mostrar os traços psicóticos de Norman com eficiência e Freddie Highmore mostra que não foi só uma criança famosa quando pequeno e que sim, tem um ótimo ator ali depois de grande. Suas expressões que vão do doce ao tenebroso em poucos instantes são espetaculares. Vera Farmiga também demonstra bem como uma mãe controladora se comporta ao ver que aos poucos seu filho pode deixar aquele "cordão umbilical" que ela criou para eles. A cada momento em que Norman questiona suas decisões, ela dá uma surtada violenta. O roteiro poderia ter caído muito fácil na trama de assassinatos mirabolantes ou de subjugo do filme original, mas ainda que trate, claro, da base do longa, o seriado tem vida própria e cria sua própria "mitologia". Me surpreendeu positivamente. 


NOTA: 8,0

Bate Motel 1º Temporaada
Criadores: Carlton Cuse, Kerry Ehrin, Anthony Cipriano
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nicola Peltz, Nestor Carbonell
Duração: 50 min em média
Episódios: 10
Emissora original: A&C

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Renascimento Superman#01, Action Comics#01, Batman#01, Detective Comics#01 e Mulher-Maravilha#01


Voltei às revistas mensais, coisa que eu não fazia desde meados de 2014. Dos títulos lançados, peguei apenas Batman, Mulher-Maravilha, Superman, Detective Comics e Action Comics. Vamos até as resenhas:

Superman # 01 por Peter J. Tomasi e Doug Mahnke (arte da primeira HQ) e Patrick Gleason (arte da segunda HQ). Li pouco o Superman de Os Novos 52, mas o pouco que li achei bem ruim. Principalmente o visual "moderninho" com aquele uniforme que mais parecia uma armadura colada criada por Jim Lee. Não sei em que direção esse aqui vai, mas já gostei. Ainda com resquícios cronológicos de Os Novos 52, esse Superman se sai muito melhor. Acho que mesmo quem não leu Superman- Lois e Clark (muito bom) ou o último encadernado com Superman- Fim dos Dias (que é ruim de doer) com suas últimas HQs no universo passado, vai conseguir curtir. Precisa-se entender que não é um reboot. Esse ainda é o universo de Os Novos 52, mas com outro status. O Superman daqui morreu, e o Superman que nós conhecemos acabou caindo nessa dimensão de os Novos 52 e agora tenta preencher essa lacuna. Mas o destaque mesmo vai para a interação de Clark com seu filho John. O roteiro de Tomasi é bem dosado, leve, e traz o Homem de Aço de volta como o conhecíamos. É uma série que vale ser acompanhada.

NOTA: 8,0


Batman # 01 por Scott Snyder, Tom King, Michael Janín e David Finch. Não sei como andava o Batman de Os Novos 52. Tenho dois encadernados (dos quatro lançados até agora) e não achei tão espetacular como diziam. Achei legal até onde li da fase Snyder. Vamos ver como será o Batman de Tom King. Essa primeira impressão é bem positiva. King mostra um Batman mais altivo, mas não é nada fora do comum. Ou nada que eu já não tenha visto antes. No entanto, é sim uma boa HQ. Os trabalhos de Michael Junín e David Finch são competentes. Principalmente os de Finch, que é um artista que não sou muito fã, mas aqui ele faz um trampo de responsa. O destaque fica para dois novos personagens com super-poderes e atuam em Gotham como se fosse Superman e Supergirl. A fase de King está sendo muito elogiada lá fora. Vamos ver o que sai disso aí. Por ora tá boa pra mim.

NOTA: 7,5


Mulher-Maravilha # 01 por Greg Rucka, Matthew Clark e Lian Sharp. Rucka sempre escreve bem (na grande maioria das vezes) e aqui ele "desliga" a personagem de Os Novos 52 de forma bem emblemática, fazendo de fato a "transmutação" e a recoloca em Renascimento. E isso é bem simbólico, como numa passagem quase religiosa. E na sequência começa um arco já montando as deixas. Gostei! Diana parece persegue alguns mistérios que a cerca e precisará de uma antiga inimiga para poder alcançar o que deseja. E quanto a arte... Já conhecia o trabalho de Matthew Clark, e até gostava, mas admito que o trabalho de Lian Sharp deu um belo salto de qualidade. Lembro dele na Image Comics trabalhando nos personagens de Rob Liefeld e minha nossa... Ruim demais. Mas aqui o cara melhorou bastante. A única coisa negativa são as cores de Laura Martin. Pesou muito na palheta, muitos efeitos e cobriu muito dos detalhes do traço dos artistas. Bem ruim...

NOTA: 7,5 (perdeu meio ponto por causa das cores)


Action Comics # 01 de Dan Jurgens e Patrick Zircher. Achei interessante. Essa edição mostra bem que Renascimento não é um reboot, como muitos leitores ainda insistem em dizer, e sim uma mudança de continuidade dentro do Universo DC. Jurgens escreve como nos anos de 1990, usando intercessões entre a narrativa, com um "personagem misterioso" nas sombras (!) e o mais legal pra mim, trouxe Maggie e a Unidade de Crimes Especiais de volta. E gostei do trabalho de Zircher. É um gibi de impacto, de ação mesmo. Ainda assim, não é descabida de continuidade, pois seu "link" com a revista solo do Superman é bem próxima. Gosto do trabalho de Jurgens e aqui ele resgata o bom e velho Homem de Aço de volta.

NOTA: 7,0


Detective Comics # 01 por James Tynion IV e Eddie Barrows. Taí que acabou me surpreendendo. E belíssimo trabalho de Eddie Barrows. Batman enxerga uma ameaça futura e sai convocando alguns de seus aliados para montar uma força-tarefa. Robin Vermelho, Spoiler, Caçadora, Cara-de-Barro entre outros estão no pacote. Mas uma força secreta ataca Batman e consegue (quase) surpreendê-lo. Essa de fato foi uma revista que me deixou com vontade de ler a seguinte. Tynion IV faz um bom trabalho de roteiro e consegue interagir entre muitos personagens. Bela edição... 

NOTA: 8,0

Nota de Edição:

Todas as revistas têm 52 páginas em papel LWC e ao valor de R$ 7,50

Dois títulos novos da Vertigo pela Panini


A Panini continua lançando material Vertigo tanto em bancas, quanto em lojas especializadas. E está trazendo duas boas novidades: Joe, o BárbaroHinterkind – Os Desterrados. O primeiro é uma HQ de Grant Morrison com o ótimo Sean Murphy em formato de cada dura, R$ 72,00 mangos com 224 páginas. É muito criativo. É um Morrison que gosto de ler, sendo inventivo e fugindo do comum. A outra HQ foi uma grata surpresa. Não lembro (devo admitir) se a Panini havia divulgado isso em seu pacote de futuros lançamentos. Hinterkind tem roteiros de Ian Edginton e arte de Francesco Trifogli. Eu cheguei a ler a edição #01 em "scan" e achei bem criativo. O trabalho de arte de Trifogli é muito bom e bonito. Essa vai pras bancas ao preço de R$ 23,90 e 144 páginas. São duas boas novidades. E pra fechar, Preacher terá relançamento das ediões #02 e #03 entre o mês de junho e julho. 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

DuckTales ganha abertura


A Disney divulgou a abertura da nova animação de DuckTales, que fez muito sucesso nos de 1980. Eu era (e sou!) muito fã desses personagens. A minha memória afetiva sempre divaga para bons tempos quando lembro da "musiquinha da abertura" dublada no Brasil. Foi uma das séries animadas da Disney mais bem produzidas e ganhou uma legião de fãs por todo o mundo. A nova série está com os personagens mais bem aprumados para os novos tempos e me pareceu, pela abertura acima, que a animação estará num nível muito bom mesmo! O que me deixou feliz em tempos em que tudo é feito digitalmente, DuckTales volta numa animação tradicional de qualidade. O programa estará estreando em agosto.

Abertura original dublado no Brasil AQUI

Filme de Han Solo perde diretores

Os diretores Phil Lord e Christopher Miller deixaram a produção do filme de Han Solo e já tinham filmado uma boa parte. O lance é o de sempre: Diferenças criativas. Mas nesse caso, foi bem claro mesmo. Os próprios diretores vieram a público afirmar que de fato fora o que ocorrera e que não estavam satisfeitos com a forma como a Lucasfilm conduzia o trabalhos dos dois jovens diretores, que não sentiram liberdade para criar. Num universo como o de Star Wars é difícil ter um controle real da situação, a menos que você seja um diretor de peso. Tudo em Star Wars é muito bem controlado e isso causa sim um controle criativo forte. Agora a Lucasfilm irá anunciar um novo diretor para breve o que resultará em quase refilmar tudo. O longa que estava sendo direcionado para março de 2018 provavelmente pulará para o final do mesmo ano. 

Watchmen em série de TV pela HBO

Essa não é a primeira vez que uma nota assim aparece pela internet. Ainda não é oficial, mas o site THR afirma que  Damon Lindelof (Lost) estaria na agulha para produzir um seriado pela HBO com os personagens criados por Alan Moore. Essa ideia já tinha rolado pelo próprio Zack Snyder (como pode ser visto AQUI) que também queria produzir uma série de TV para abranger melhor toda a minissérie de Moore e detalhar melhor o universo de Watchmen. Particularmente, se bem feita, pode funcionar. Assim como acho que Y, o Último Homem também funcionaria melhor nesse formato. Segundo o site, o programa está em fase inicial de produção, mas já está sendo pensada para o mais breve possível. 

terça-feira, 20 de junho de 2017

Jack Kirby ganha biografia com o título O Criador de Deuses

Jack Kirby foi uma força dos quadrinhos americanos. Um rolo compreensor na hora de desenhar e criar, e por conta disso, ganhou um "The King" entre seu nome e sobrenome. O traço de Kirby era (é) forte, único, com uma energia pouco vista até mesmo pros dias de hoje. Uma máquina de desenha, Jack fazia títulos completos em poucos dias e muitas vezes de várias editoras e personagens. Sua qualidade nunca caia. Sou um fã do trabalho desse enérgico artista e defensor da importância ímpar desse mestre. Sem ele, talvez o Universo Marvel não tivesse surgido com tanta força, ou talvez tivesse demorado um pouco mais pra engrenar, pois apesar de Stan Lee ter muitas ideias, sem Kirby pra realizar a tarefa de desenhar com tanta velocidade e qualidade, Lee e o recente universo Marvel do começo dos anos de 1960 não fosse o que era hoje, mas sem menosprezar a importância de Lee nisso tudo.

O jornalista Roberto Guedes, fã de Kirby assumido, escreve uma biografia sobre a carreira e vida do artista no livro O Criador de Deuses. Um título muito feliz para um mito como Kirby. Guedes que já fez um livro com Stan Lee, traça a vida do desenhista desde o começo do século passado até os dias de apogeu e afastamento do Rei do traço. Uma leitura que vale não apenas como resgate e conhecimento do personagem, mas também como motivador para novos artistas. Fazer o que Kirby fazia, ninguém fará nunca- pelo menos não com aquela qualidade e ainda assim, duvido que faça de qualquer forma- e merece um conhecimento maior sobre este que foi um dos maiores nomes dos quadrinhos de super-heróis dos Estados Unidos. Livro está sendo editado pela Noir com 220 páginas ao preço de R$ 49,90. 

Biografia de Mauricio de Sousa

Quando eu era criança, sempre passava numa banca no Centro de Fortaleza para comprar quadrinhos e Turma da Mônica, Cebolinha e Chico Bento eram meus favoritos. Não comprava sempre, pois grana era complicada, mas sempre que podia, eu levava a minha edição. A Editora Sextante está lançando Mauricio – A história que não está no gibi (336 páginas ao valor de R$ 49,90) com a biografia de um dos maiores nomes do quadrinho nacional e sim, mundial, Mauricio de Sousa. Seus personagens são divertidos, simples, mas fortes ao mesmo tempo. Sempre fui muito fã da turminha de Mauricio e cresci lendo muitas aventuras divertidas. Apesar de não acompanhar como antes, ainda adoro os personagens e vez por outra, me vejo comprando alguma coisa. Acho que esse livro traz uma luz muito boa para os fás de Mauricio e para profissionais que queiram conhecer o caminho de um cartunista que fez sucesso e ainda faz num país onde poucas vez o quadrinho nacional é valorizado como se deve. Livro indispensável para fãs, entusiastas e profissionais. 

Adam West- O Batman da minha Infância

É difícil falar do seriado dos Batman da década de 1960 sem puxar aquela nostalgia marota, que nos arremete ao tempo de criança numa época em que tudo era menos complicado (de certa forma). Assim como qualquer criança (ou pelo menos a maioria) dos anos de 1980, eu cresci na frente da TV assistindo todos os programas infantis, desenhos animados, filmes e seriados voltados pra mim naquela época. O SBT trouxe para cá as aventuras de Batman, a série de TV infantil que fez tanto sucesso algumas décadas atrás. O jeitão caricaturado, os textos batidos, as lutas coreografadas de forma divertida, onomatopeias, e todo o colorido, me jogavam num mundo de quadrinhos e personagens que eu gostava muito. Apesar de não ter acesso aos quadrinhos do Batman naquela época, e não saber como ele funcionava de fato, aquela versão simples me deixava muito feliz. Eu não entendia nada de quadrinhos naquela época, mas sabia que as aventuras do Morcego eram oriundas daquele formato. E sabia que o formato era mais ou menos aquilo que eu via na TV.

Adam West foi o ator que eu primeiro vi como o Batman e é o que mais marcou o personagem. Foi o "Batman definitivo" para muitos e é sem dúvidas o Batman mais lembrado até mesmo pelo tom mais bonachão. West foi um ator cheio de mimos e que botava "quente" nos sets de filmagem, mas tudo isso pra mim não importava, com tanto que ele desse uns catiripapos nos vilões e fizesse a coisa certa como o Batman. Era divertido, simples, inocente, e... já falei divertido? Então, foi o Batman da minha infância e o que me catapultou, de certa forma, ao mundo dos quadrinhos. Claro, eu já assistia Superamigos, mas foi meu primeiro contato com um live action de um personagem baseado em quadrinhos, pelo menos que eu me lembre. West foi um ator muito querido pelos fãs do personagem e deixará saudades. Teve três temporadas e 120 episódios (1966 até 1968) e ganhou uma infinidade de fãs que até hoje são fieis ao seriado e seus atores. 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Moonlight: Sob a Luz do Luar, Lion - Uma Jornada Para Casa e O Jogo da Imitação (Resenha Filmes)

 Moonlight: Sob a Luz do Luar, foi o grande vencedor do Oscar 2017 e não por acaso: é um filme forte, com um tema em voga, mas que não o usa como muleta para se sustentar. Seria muito fácil (e cômodo) para um "crítico" relatar que o filme se sustenta numa realidade tão atual para ser um filme de destaque, mas na verdade  Moonlight: Sob a Luz do Luar sai desse pragmatismo para ser um projeto real. Na trama um jovem negro acaba sendo "apadrinhado" por um traficante local (Mahershala Ali) depois de ser perseguido por um bando de garotos. O filme pula para uma etapa em que Pequeno (Alex R. Hibbert) era apenas uma criança perseguido por valentões para Chiron ( Ashton Sanders) que por fim sabe de sua condição sexual e finaliza com Black (Trevante Rhodes), onde o agora traficante de renome assume a marca de seu antigo tutor. Essa metamorfoses são etapas bem desenvolvidas e atraentes para os personagens e a estória em si. O diretor Barry Jenkins constrói uma narrativa singular, com uma base simples, mas forte. De uma visão mais míope poderia ser um filme sem graça, quase apego nenhum, mas a ótica em cima de Chiron (Pequeno quando criança e Black quando adulto) vai além do esteriótipo ou raça ou denominação sexual. É sobre uma pessoa que enxerga a realidade a sua volta e se molda em torno dela. E isso é a realidade em que vivemos. As escolhas e a atmosfera que nos cerca influenciam nos passo futuros e nas escolhas que podemos ter- e suas consequências. Para Chiron um amor de infância ou a perca do amigo, ou o exemplo do tutor fizeram a diferencia. O longa ganhou o Oscar de melhor filme.

NOTA: 8,0

Lion- Uma Jornada Para Casa poderia ser um filme de reencontro como muito e muitos outros. Até poderia, se não fosse tão emocionalmente bem contada. Índia, 1986... Saroo de cinco anos e o irmão Guddu saem para tentar arrumar emprego para ajudar em casa, mas Saroo muito novo acaba dormindo na estação de trem e ao acordar não encontra o irmão e sai em busca do mesmo, mas acaba dormindo num vagão de trem e com isso ganha uma viagem solitária por toda a Índia. Assim, Saroo acaba em outro local, muito distante onde o dialeto é bengali e como ele fala apenas hindi, fica em uma situação complicada, passando fome, perdido e sem saber como se comunicar. A história real do jovem indiano tem desdobramentos espetaculares, mas de muita angustia. Fazia tempo que eu não assistia um filme tão emocionante, tão forte e com uma carga emocional pesada. A jornada de Saroo ao ser adotado por um casal de australianos e seu retorno a sua vila natal emociona. Toda sua provação de fome e solidão, passando por desventuras que poderiam ter colocado esse pequeno garoto em panos diferentes, abre uma discussão sobre crianças perdidas, de rua e/ou que vivem em situação de miséria. É uma pauta política que, apesar de ser adotada no filme de forma introspectiva, salta a mente no momento que você entende o descaso do governo com essa situação, num país onde estatisticamente falando mais de 80 mil crianças somem por ano na Índia. Um filme forte, bem contado e emocionante. Ótimo trabalho do diretor Garth Davis e belas interpretações de Dev Patel e o ator mirim Sunny Pawar. Concorreu a seis Oscar, mas não levou nenhum injustamente.

NOTA: 9,0

O Jogo da Imitação é um filme daqueles te prende pela inteligencia e pelas ótimas interpretações. O filme conta a história de Alan Turing, que é considerado o pai da computação. Turing foi contratado pelo governo britânico junto a outros cientistas para decodificar uma máquina alemã intitulada Enigma e que dava aos nazistas poder estratégico ao usarem códigos indecifráveis para a época. Com isso Turing criou uma máquina que "traduzia" a criptografia nazista e antecipava os ataques importantes. O filme tem momentos de baixa estima e superação, de forma bem previsível, até, mas contada de forma singular. As indecisões e o gênio de Turing são elevados a um status de problemático, até ser reencontrado no memento de superação no clímax do filme. Apesar de alguns personagens até caricatos, O Jogo da Imitação é um filme de espionagem bem conduzido e funciona muito bem como relato da vida mais secreta de Turing. Apesar da previsibilidade do longa, ele é bem condizido pelo sueco Morten Tyldum com uma câmera firme e uma fotografia bem executada. Ganhado dor Oscar de melhor roteiro adaptado.


NOTA: 8,0

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Sessões em Aventura: Hóspede do Barulho

As expressões de Harry eram espetaculares. Belo trabalho de maquiagem

Ahhh, sou mesmo um cara nostálgico. Poxa, nos anos de 1980/90 a maior diversão de um nerd era pregar na TV pra assistir a todos os enlatados que passavam principalmente na Globo em diversos blocos durante a semana. Assim, eu assistia aos domingos a série Um Hóspede do Barulho, que fora baseado no filme de mesmo nome (Harry and the Hendersons, 1987, no original). O seriado foi exibido nos Estados Unidos entre 1991 e 1993 e teve 72 episódios onde o Pé Grande chamado de Harry entra na vida de dos Hendersons, uma típica família americana que o atropela numa estrada florestal. O filme trata da adaptação e aceitação do Harry como um membro da família, e o seriado vai pelo mesmo caminho, mas claro, de forma mais leve, num formato bem sitcom mesmo. 

As piadas eram simples, mas funcionavam muito bem. Até para os dias de hoje, acredito que ainda arranquem uma boa risada. O personagem, que usava toda uma roupa especial, era bem feito pra caramba e ainda hoje é de impressionar, se valendo que no ano de 1991 a tecnologia ainda não era tão avançada como a que temos hoje, no entanto a técnica de maquiagem fez um trabalho excelente. Mas o forte do seriado era mesmo o lado cômico e familiar. Os Henderson adotaram Harry realmente como um familiar, mas tinham problemas em escondê-lo dos vizinhos, afinal, era um ser de mais de dois metros e peludo. O carisma dos personagens e o elenco bem entrosado fazia de Um Hóspede do Barulho um dos seriados da época mais divertidos e queridos. Eu, particularmente, adorava. Todo domingo eu tava lá pregado na TV para assistir a vários seriados e um dos meus preferidos era esse. Apesar da inocência e simplicidade do programa, era um produto honesto e que entregava exatamente aquilo que prometia: diversão despretensiosa. Coisas assim estão cada vez mais em falta... 

Curiosidades:
  • O longa original tinha John Lithgow como George Henderson
  • O seriado tinha Bruce Davison como George Henderson
  • A série chegou a passar posteriormente na Bandeirantes
  • O filme original ganhou um Oscar por melhor maquiagem[
  • Abertura da Globo clicando AQUI.

Blame! (Resenha Filmes)

A JBC atualmente lança Blame! no Brasil numa edição bem caprichada. Estou comprando, mas ainda não li, bem verdade. Mas curioso, assisti ao filme animado da Netflix. Mesmo que eu torça o nariz pra esse tipo de CGI gerado pela Polygon Pictures (mesmo de Ajin), devo admitir que a animação se saiu visualmente muito bem. Tem ótimas sequencias de ação, belo trabalho gráfico e uma animação mais fluida, mas o erro desse filme é o roteiro. Mesmo que eu não tenha lido o mangá, o texto do filme parece estar em segundo plano e deixando que a técnica seja mais importante que o roteiro. Os personagens simplesmente não tem força, você não consegue se apegar a eles. São tão frios quanto a própria técnica animada- ainda que bem executada.
A trama se passa num futuro onde a Inteligencia Artificial que foi criada para ajudar a humanidade se volta contra ela ao concluir que para salvar as pessoas, teria que eliminá-las para este fim. Nada que já não tenha sido feito antes, no entanto, há bons pontos de criação. Mas há várias formas de se conduzir tramas assim, mas no caso de Blame! ficou no previsível. Tinha tudo para ser um daqueles filmes de ficção científica que entra para a história, pois a ideia ainda que já usada ao extremo pelo cinema, literatura, quadrinhos, etc, ainda rende boas tramas. Tinha tudo para ser muito bom, mas ficou no "tinha tudo..." mesmo. Eu estava com boa expectativa quanto a essa animação. O trailer é muito bom e as obras de Tsutomu Nihei em geral são muito bem vistas no Japão e sempre ganham destaque.

NOTA: 6,0
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